Andores floridos levam milhares à festa de Alvarães

28-ABR-2009

Andores floridos levam milhares à festa de Alvarães
Os andores floridos, decorados com milhares de pétalas coladas de forma a criar motivos religiosos, paisagísticos e monumentais, são os "ex-libris" da Festa de Santa Cruz, que nos dias 23 e 24 de Maio 2009 decorrem em Alvarães, Viana do Castelo.
O trabalho de confecção dos onze andores tem lugar, normalmente, no pátio das casas dos mordomos e decorre praticamente ao longo de toda a semana que antecede a festa, só sendo dado por concluído na madrugada de sábado.
Chegam a juntar-se, à volta de cada andor, três dezenas de "artífices", gente de todas as idades e profissões que, pétala a pétala, criam autênticas obras de arte popular.
As pétalas são coladas com cola feita à base de farinha, cuja humidade permite que elas se aguentem por vários dias viçosas e coloridas.
Cada lugar da freguesia tem o seu andor e ainda se cultiva uma sã rivalidade entre os vários lugares, pelo que as temáticas escolhidas são mantidas em segredo até à tarde de hoje, altura em que os andores são transportados para a Igreja Paroquial.
Domingo, os andores são levados em procissão aos ombros dos mordomos, para admiração dos milhares de forasteiros que todos os anos se deslocam a Alvarães para apreciar aquelas autênticas obras de arte popular.
"São andores únicos no País, `bordados` pétala a pétala pelas mãos sábias da gente da terra, pelo que este é um património de Alvarães que não se pode perder e que merece ser perpetuado", defendeu hoje o presidente da Junta de Freguesia local.
Foi em Maio de 1946 que se fez em Alvarães o primeiro andor em flores naturais, cujo objectivo era a coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Em Outubro daquele ano, numa procissão que percorreu quase toda a freguesia em acção de graças pelo fim da II Guerra Mundial, mais quatro andores foram confeccionados com flores naturais, transportando as imagens de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora do Livramento, de Nossa Senhora do Rosário e de S. Sebastião.
Em 1947, o então pároco da freguesia, cónego Cepa, sugeriu que na Festa das Cruzes os andores fossem novamente feitos com flores naturais, argumentando que os ornamentos que então os enfeitavam "cheiravam a mofo".
A ideia foi bem aceite pela população e assim surgiram os primeiros andores de flores naturais, que em nada se assemelhavam aos actuais, pois a estrutura era ainda feita nos armadores e depois eram compostos com solitários e jarras de flores.
No ano seguinte surgiu a ideia de se começar a colar as pétalas de flores em andores já feitos por cada lugar da freguesia e de acordo com a imagem do santo que iriam transportar.
Um dos andores mais pesados é o consagrado a S. Sebastião, que representa um castelo quase totalmente revestido de musgo e cujo transporte chega a "reclamar" os ombros de seis homens.
Bem mais leve é o andor dedicado a Santa Gorete, que, como manda a tradição, é sempre transportado por raparigas solteiras.

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